Notícias aqui da longínqua Germânia: compramos bicicletas. Bicicletas, bici, magrela, zica, cabrita, bike ou 'das Fahrrad', como dizem aqui. Usadas, é claro, porque comprar bicicleta zero aqui é como comprar carro, só fazendo consórcio. Um amador, no entanto, como nós, certamente teria dificuldade em diagnosticar que elas já foram usadas.
O que antes significava sair de casa 10 minutos antes do horário do ônibus, ficar na parada esperando, pagar, ficar de pé e, 20 minutos depois estar no centro, hoje significa em 10 minutos e, especialmente de graça, estar no mesmo centro. Enfim, uma beleza. Sem contar o exercício físico, modalidade da qual estamos afastados a uns bons incontáveis meses. Adutores e bíceps femurais que o digam.
Na Alemanha andar de bicicleta é coisa séria e tem leis de trânsito pra isso. Não é aquele oba-oba com que estamos acostumados lá na praia. Tem mão certa, todas bicicletas têm farois dianteiros e traseiros alimentados por um dínamo ligado à roda e até pisca-pisca. Com as vantagens de não ter que pagar auto-escola e de que dirigir alcoolizado não é crime. Não que a gente tenha pensado nisso. Mas sempre é bom. Todas ruas têm espaço destinado às bicicletas e, quando não têm, a calçada é do ciclista. Danem-se os pedestres. Aliás, nas ruas também, a preferência é sempre delas. Se tu quer seguir reto e o carro do teu lado esquerdo quer virar à direita, ele para, espera tu passar e então segue sua vida. Muito perto da definição mais conservadora de 'cidadania'. Até documento elas têm.
Cada vez que me lembro do trânsito da Independência ou da Goethe às 18h penso que uma excelente saída para uma cidade é este tipo de transporte. Aqui, em um país em que qualquer pessoa pode comprar um carro de excelente qualidade por não mais que 20 mil Euros (que não podemos converter pra Reais, porque aqui eles ganham em Euro), muita gente simplesmente escolhe comprar uma bicicleta ou andar de ônibus e metrô. Professores universitários chegam na Universidade de bicicleta. Há bicicletários por toda cidade e, ao contrário dos carros, não se paga pra estacionar. E isso que o clima aqui não é lá muito amigável, mas mesmo a 0º em gente indo trabalhar de bicicleta. Foi o célebre H.G. Wells que um dia disse "Toda vez que vejo um adulto em uma bicicleta, eu já não me desespero quanto ao futuro da raça humana"... isso em uma época em que Henry Ford ainda tentava vender a ideia do automóvel e as carroças e carruagens é que eram as responsáveis por se empilharem em congestionamentos. E por empilharem montes de estrume de cavalo no meio das ruas. A única diferença foi que a porcaria gerada pelos escapamentos passou do chão para o céu, lá longe, lé em cima, onde ninguém consegue ver. E se não vemos, nos sentimos melhores.
Claro que não adianta nada comprar uma bicicleta e tentar mudar o mundo se a cidade não oferece estrutura alguma. Na melhor das possibilidades se chega em casa são e salvo e com o nível de estresse duas vezes maior do que quando saiu do trabalho.
Outro fator determinante para aliviar o maldito problema do trânsito é o crescimento horizontal da cidade, ao invés de vertical. Por aqui não se veem prédios com mais de 5 andares, onde moram, no máximo, 10 famílias. Nada daqueles prédios de 20 andares, com 6 apartamentos por andar e 120 carros com pessoas saindo e voltando do trabalho à mesma hora e mais 80 carros de crianças indo e voltando da escola, também às mesmas horas. Isso só no bloco A do condomínio que vai até o D. Se ao menos os planos diretores das cidades fossem feitos visando agradar ao cidadão ao invés de um poderoso lobby de empreendedoras e construtoras...
Mas ok, filosofia deixada de lado, as seguintes fotinhos foram tiradas com o celular, por isso estão toscas. Paciência.
O que antes significava sair de casa 10 minutos antes do horário do ônibus, ficar na parada esperando, pagar, ficar de pé e, 20 minutos depois estar no centro, hoje significa em 10 minutos e, especialmente de graça, estar no mesmo centro. Enfim, uma beleza. Sem contar o exercício físico, modalidade da qual estamos afastados a uns bons incontáveis meses. Adutores e bíceps femurais que o digam.
Na Alemanha andar de bicicleta é coisa séria e tem leis de trânsito pra isso. Não é aquele oba-oba com que estamos acostumados lá na praia. Tem mão certa, todas bicicletas têm farois dianteiros e traseiros alimentados por um dínamo ligado à roda e até pisca-pisca. Com as vantagens de não ter que pagar auto-escola e de que dirigir alcoolizado não é crime. Não que a gente tenha pensado nisso. Mas sempre é bom. Todas ruas têm espaço destinado às bicicletas e, quando não têm, a calçada é do ciclista. Danem-se os pedestres. Aliás, nas ruas também, a preferência é sempre delas. Se tu quer seguir reto e o carro do teu lado esquerdo quer virar à direita, ele para, espera tu passar e então segue sua vida. Muito perto da definição mais conservadora de 'cidadania'. Até documento elas têm.
Cada vez que me lembro do trânsito da Independência ou da Goethe às 18h penso que uma excelente saída para uma cidade é este tipo de transporte. Aqui, em um país em que qualquer pessoa pode comprar um carro de excelente qualidade por não mais que 20 mil Euros (que não podemos converter pra Reais, porque aqui eles ganham em Euro), muita gente simplesmente escolhe comprar uma bicicleta ou andar de ônibus e metrô. Professores universitários chegam na Universidade de bicicleta. Há bicicletários por toda cidade e, ao contrário dos carros, não se paga pra estacionar. E isso que o clima aqui não é lá muito amigável, mas mesmo a 0º em gente indo trabalhar de bicicleta. Foi o célebre H.G. Wells que um dia disse "Toda vez que vejo um adulto em uma bicicleta, eu já não me desespero quanto ao futuro da raça humana"... isso em uma época em que Henry Ford ainda tentava vender a ideia do automóvel e as carroças e carruagens é que eram as responsáveis por se empilharem em congestionamentos. E por empilharem montes de estrume de cavalo no meio das ruas. A única diferença foi que a porcaria gerada pelos escapamentos passou do chão para o céu, lá longe, lé em cima, onde ninguém consegue ver. E se não vemos, nos sentimos melhores.
Claro que não adianta nada comprar uma bicicleta e tentar mudar o mundo se a cidade não oferece estrutura alguma. Na melhor das possibilidades se chega em casa são e salvo e com o nível de estresse duas vezes maior do que quando saiu do trabalho.
Outro fator determinante para aliviar o maldito problema do trânsito é o crescimento horizontal da cidade, ao invés de vertical. Por aqui não se veem prédios com mais de 5 andares, onde moram, no máximo, 10 famílias. Nada daqueles prédios de 20 andares, com 6 apartamentos por andar e 120 carros com pessoas saindo e voltando do trabalho à mesma hora e mais 80 carros de crianças indo e voltando da escola, também às mesmas horas. Isso só no bloco A do condomínio que vai até o D. Se ao menos os planos diretores das cidades fossem feitos visando agradar ao cidadão ao invés de um poderoso lobby de empreendedoras e construtoras...
Mas ok, filosofia deixada de lado, as seguintes fotinhos foram tiradas com o celular, por isso estão toscas. Paciência.


adorei tudo, o texto, as filosofadas, as observações, as fotos.
ResponderExcluirmas bicicleta, filho? bicicleta? tem certeza?
o que eu iria fazer se tivesse que andar de bicicleta?
Eu tb adorei tudo. Lili, sabes o que irias fazer? Finalmente, aprender a andar de bici. Tu deves isso a ti mesma! :)))
ResponderExcluirBjs e até breve!
Penso o mesmo! Nos primeiros dois meses em Barcelona usava o metro, até descobrir a bici! Depois disso, não larguei mais! Fazia tudo com ela.. mais rápido e mais econômico! Fora as endorfinas liberadas e as pernas mais biitas!
ResponderExcluirQueria muito que Porto Alegre tivesse toda essa estrutura daí... mas hj, se sou uma andarilha convicta aqui (ciclista não, por segurança mesmo), muito foi pelo hábito que aprendi aí.